quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Rudy e Lizy

Eu era jovem – mais jovem do que sou hoje – quando o conheci.
Seus olhos eram acinzentados, cobertos de segredo. Eram olhos de ressaca, como Machado de Assis outrora disse.
Meu coração palpitou quando os seus olhos suavemente encontraram os meus. Houve um momento de precipitação da minha parte e eu me vi caminhando até ele.
Era mais alto do que eu havia notado antes. Estava usando um perfume que fez com que eu perdesse o fôlego.
A sensação que eu tive, era a de já tê-lo visto antes... Nos meus sonhos, talvez? Não sei, aliás, não tive tempo de pensar, os seus lábios estavam tão próximos aos meus que não notei quando ele perguntou o meu nome.
“Lizy. Meu nome é Lizy. E o seu?”
“Rudy.”
O que aconteceu depois foi uma série de surpresas e sensações maravilhosas.
No final da noite, nossas mãos estavam entrelaçadas...
Eu nunca havia pensado no amor como um piscar de olhos. Sempre o imaginei como distante e inalcançável, mas agora, ele estava comigo, quando poderia estar em qualquer lugar.

A vida - com todo o seu charme e beleza, já não era tão atraente quanto as noites que ao lado de Rudy eu passava. Ele recitava poemas para mim como se fosse uma música, me envolvia em seus braços e sussurrava no meu ouvido o quanto me amava. Eu sentia um calor percorrer todo o meu corpo, e no fim dessa viagem, eu chorava.

Nunca vou me esquecer do dia que Rudy me chamou as pressas na casa dele.
Fui o mais rápido que pude.
Ao chegar ele me levou direto para o jardim. Suas feições estavam carregadas de angústia e sua voz estava com um tom entristecido...
“O que foi meu amor?” – eu disse – “Você está bem?”
“Não...”
“Então me conte o que houve meu amor!”
Rudy pegou em minhas mãos, olhou nos meus olhos e por fim, disse:
“Lizy, minha querida, eu não sei por onde começar... Eu estou doente. Eu preciso me tratar antes que algo de muito ruim me aconteça... E o único hospital que os meus pais podem pagar fica à 17 horas daqui. Eu vou me mudar, Lizy. Eu vou me mudar amanhã. E nós não nos veremos mais... Eu realmente não sei como vou conseguir viver sem você... Oh, Lizy! Por favor, não chore! Suas lágrimas estão acabando comigo. Olhe, antes de dizer adeus eu preciso te entregar um presente.”
Rudy tirou do bolso de trás um envelope coberto de manchas – que só fui perceber depois que eram lágrimas.
“Abra meu amor.”
Era um certificado.
“O que é isso, Rudy?”
Ele tirou o certificado das minhas mãos e olhou para o céu coberto de estrelas.
“Isso é um certificado, meu amor. Está vendo aquela estrela próxima a Lua? Então meu amor, ela é sua. Este certificado diz exatamente isso. Aquela estrela tem o seu nome. Ela é toda sua, meu amor! Quando eu estiver longe, eu vou olhar aquela estrela e vou me lembrar de você. Eu te amo minha Lizy, minha doce Lizy! E eu juro meu amor, quando eu ficar bom eu vou voltar pra te buscar e nós vamos morar juntos... Juntos, para sempre.”
Eu não suportei ouvir mais nada! Eu o abracei com força, como se fosse o suficiente para impedi-lo de ir embora... Eu o beijei torcendo para que não sentisse nada, pois assim, eu saberia que tudo o que aconteceu não passou de um sonho...
Eu me afastei e fui embora. O que mais eu poderia fazer? O amor da minha vida estava partindo e eu tinha que ser forte. No fundo eu sabia que por mais que eu odiasse isso, era o melhor para ele – mesmo que não fosse o melhor para mim - e eu também sabia que quando ele voltasse, nós retomaríamos de onde paramos e seríamos felizes – juntos, para sempre.

Todos os dias, Lizy olhava a sua estrela e via os olhos de Rudy refletidos. Lizy o esperou, esperou e esperou... Sua vida adormeceu. E Rudy... Bom, ele nunca mais voltou.

2 comentários:

  1. Que lindo! Me fez lembrar um pouco do filme/livro "Um amor pra recordar"... Foi você mesmo que criou essa história, Carol? Beijos <3

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    Respostas
    1. Sim, Aline, a história é criação minha! Obrigada <3

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