quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sozinho

"Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você, mais ninguém"
Sozinho, Caetano Veloso.

- O café está frio.

Eu não entendo como isso pôde acontecer, eu acabei de pedir.

- Um café e um suspiro, quentes, por favor.

Talvez o garçom tenha feito confusão com os pedidos. Eu juro, eu disse "um café e um suspiro, quentes", então eu não sei o que este café frio está fazendo sobre a minha mesa.

E o meu suspiro?

Como ele pôde me trazer um embrulho de excertos roubados?

- Eu não quero frases de ninguém, moço. Eu quero o meu suspiro. Eu quero o meu café, quente. Este aqui esfriou.

Estranho.

Enquanto a cinzenta presença do moço se aventura de encontro ao balcão, sinto um borbulhar emergindo pelo meu corpo. Que tipo de manifesto é esse, que ao invés de me aquietar com o seu calor, me manter segura, causa uma aflição desconhecida?

Não deveriam estar voando borboletas no meu estômago?

Meus olhos não deveriam estar transbordando de lágrimas, as quais eu puramente reconheceria como um sinal de desapego?

Estou me precipitando, eu sei.

Mas essa é a minha maneira vital de agir. Sem a intuição, eu seria apenas uma junção de pensamentos e histórias – com um detalhe crucial: sem enredo, sem o desenrolar dos fatos.

Eu estou esfriando, meu amor.

Meu coração não tem forças para aquecer os meus amores, meu café esfriou.

E sinto uma corrente de arrepios quando me lembro das nossas conversas vespertinas.

Você prometeu, lembra?

Achei que nunca deixaria o café esfriar.

E cá estamos, e cá estou. Esperando o meu café que já não faço tanta questão que seja quente, esperando os meus suspiros - que não conseguem ser tão doces quanto a lembrança dos seus beijos.

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