domingo, 24 de julho de 2011

Céu de Minas

- Eu nunca tinha visto uma noite tão estrelada quanto a de ontem.
No meu pensamento cosmopolita, era impossível existir tanto brilho no céu. As luzes da cidade grande ofuscaram até os meus pensamentos, deixando-os tão incredulamente descrentes, que a minha primeira reação ao olhar para cima, foi de surpresa.
Depois, nostalgia.
Não daquele tipo de saudade amarga que guarda um certo rancor por não ser mais conjugada no presente. Minha saudade foi bem simples, assim como os meus pedidos para a estrela mais distante que os meus olhos puderam alcançar: um gole de café quente, suas mãos entrelaçadas com as minhas e uma câmera com resolução melhor.
Mas logo em seguida, meus desejos foram esquecidos e por isso, não realizados. Talvez se eu tivesse argumentado com mais firmeza, convencido a estrela de que o seu lugar é comigo, que o frio só pode ser suportado com um café bem quente, que uma noite só pode ser registrada com a melhor máquina fotográfica. Talvez tudo se ajeitasse com um abrir de olhos logo depois de uma boa noite de sono ou um porre daqueles.
E no final da noite o cansaço dominava o meu corpo, e eu desejei intensamente para o céu que me trouxesse um pouco de amenidade e algumas besteiras dispensáveis, mas não fui recompensada na realidade - apenas em minha memória, onde hoje moram as lembranças da mais bela noite do Sul de Minas.

Um comentário:

  1. Aqui é preciso caçar uma estrela, ou até mesmo uma ponta de céu.

    O céu não traz desejos, apenas aponta rumos.

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