sexta-feira, 30 de março de 2012

O que é pior, perder a confiança ou perder a admiração?

Cry of the wind / Fonte: cryofthewind.tumblr.com

Hoje eu me encontro com este debate interno: o que é pior, perder a confiança ou perder a admiração?
A confiança é o segredo de uma amizade longa e duradoura. Confiamos, porque nos sentimos seguros com determinada pessoa ou determinada situação. Este sentimento permite intimidade e liberdade para conversar sobre qualquer assunto. A confiança, basicamente, é a certeza de que aquela pessoa não vai nos decepcionar.
A admiração é diferente. Não precisamos estar diretamente envolvidos com alguém para admirar. Eu, por exemplo, admiro o John Lennon e nunca o conheci. Também admiro muitos autores, e também não os conheço, mas os admiro como se fossem meus melhores amigos. A admiração é um sentimento curioso, porque geralmente, não precisamos de muitos motivos para admirar. As vezes, respeitamos alguém pelo fato de ser mais alto que nós. Eu admiro o meu irmão por isso. Outras, por ser bonito, por falar bem, escrever um belo texto ou tirar boas fotografias. Enfim, existem muitos jeitos de admirar alguém, mas eu quero falar sobre um outro tipo de admiração: a profissional.
Quandro entramos em uma empresa, seja ela pequena, média ou grande, é natural que no começo a gente se sinta um pouco desconfortável com alguma coisa. Nos primeiros dias do meu primeiro emprego, eu não conseguia terminar uma frase que fosse com o meu chefe. Por ser tímida, tenho aquele velho receio de magoar alguém com o que eu falo, ou da pessoa me constranger em público. Sei lá, isso sempre passa na cabeça dos tímidos, mas eu nunca parei pra pensar porque eu me sentia assim. Depois de um tempo, fui criando coragem e comecei a agir com mais naturalidade, desempenhando o meu papel com segurança e sem medo de errar. Algumas vezes, meu chefe sentava ao meu lado para conversar comigo sobre o trabalho e sobre a vida. Eu adorava ouvi-lo contar sobre as suas experiências. Eu sempre gostei de conversar com pessoas mais vividas e ele me enchia de informações novas que definitivamente mudavam a minha maneira de pensar. Eu criei uma admiração profunda por ele.
Mas assim como a confiança, a admiração precisa ser cuidada todos os dias ou ela se transforma em decepção. E foi assim comigo. Eu fui chamada a atenção recentemente por trocar ideias com um sócio totalmente envolvido com o texto que eu estava produzindo. Eu não podia fazer isso, e só ficou mais sério por um motivo: o sócio era o meu pai. A intenção foi a melhor, pois eu queria melhorar o texto, e como falar sobre Construção Civil sem consultar um Mestre de Obras? Não, eu não podia ter feito isso, ficou bem claro na discussão. E como eu não sou durona, eu chorei, chorei e chorei... Que constrangedor...
Parece que a admiração estava concentrada em meus olhos e foi embora junto com as minhas lágrimas. Agora, não sobrou nada. Só decepção. Creio que o chefe também se sinta assim, decepcionado.
Eu estou contando o que mais recente aconteceu na minha vida, aliás, foi nessa semana. Eu ainda estou triste, decepcionada. Intenções não servem para nada, eu aprendi. A gente tem que fazer daquele jeito e é aquele e pronto. Pra que discutir?
Chego apenas a uma conclusão: perder a confiança é horrível, acaba com a gente por muitos dias. No entanto, a confiança nada mais é do que um tijolo que vai colocando sobre outro e construindo uma casa. Se a construção cair, você pode tentar de novo. É claro que leva tempo, mas a confiança pode ser reconquistada. Já a admiração, não. A gente nunca esquece porque deixou de admirar alguém. A decepção ocupa um espaço maior do que poderíamos imaginar.

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