sexta-feira, 25 de maio de 2012

Professorando

Ser professora me tornou uma garota melhor. Ser professora acabou com a minha ansiedade e constante procura em me descobrir – simplesmente porque agora eu já sei quem eu sou. Ser professora transformou a minha timidez numa poeirinha que eu aspirei e nunca mais me incomodou. Ser professora tornou a minha imaginação uma fonte inesgotável de oportunidades.

Eu vi em dois meses o que o futuro pode me proporcionar: a chance de mudar vidas. Uma operação aqui e outra ali não parece muito para quem sempre estudou, mas para quem conseguiu depois de muito trabalho e esforço um tempinho para si e o dedicou para aprender, uma operação de soma e subtração é a abertura de um mundo em que infelizmente, outrora não fora convidada a participar.

Eu acordo pensando em um novo modo de “dar gás” àquelas garotas que se dispuseram por alguma razão a voltar à sala de aula quando poderiam deixar para lá. É incrível o que uma pessoa esforçada pode fazer, parece que até mesmo aquela matéria chata – eu já percebi que é a porcentagem – se torna algo importante quando você quer aprender.

Gente, é incrível. Ensinar o que você sabe para alguém que não conhece e ainda assim este alguém se sentir eternamente agradecido por você... É excepcional. Ver sorrisos e olhares atentos direcionados a você, colocar um jaleco e acreditar que nem mesmo o vestido mais caro e mais brilhante da loja mais cara cairia tão bem quanto ele. Só o amor pela educação faz isso com a gente.

Eu posso dizer que sou realizada com a minha profissão e que eu aprendo mais do que ensino. O contato com o ser humano se torna cada vez mais profundo, a minha compreensão quanto aos meus problemas nem chegam perto do que as minhas alunas passaram na vida. Eu aprendi a respeitar o tempo, amar e ser paciente em cada momento, independente de qual for.

Deveria me sentir constrangida com o que eu escreverei agora, afinal, se inspirar em um personagem parece coisa de criança, mas eu preciso dizer que dois dos meus maiores professores foram o Pequeno Príncipe e a Raposa. Cativar foi a melhor lição que eu aprendi dando aulas.

Pela primeira vez em tanto tempo, não espero mais nada. Estou vivendo em função de um sonho que parecia tão distante e que agora faz parte da minha rotina. Há dois meses, meu ex-chefe tentou me alertar dizendo que eu poderia voltar a ser aquela menininha que eu era quando eu entrei na sua gráfica caso eu trabalhasse noutro lugar. Ele quase conseguiu plantar uma sementinha pessimista no meu jardim. Mal posso explicar o quanto ele estava errado em suas colocações. O que eu cresci nesses últimos dois meses nem se comparam a qualquer outra atividade que eu viesse a fazer. Como aquele cara estava errado!

E como eu estou feliz, por amar o que eu faço.
Primeira turma de reforço, de 17 de abril à 11 de maio.
Criamos laços de amizade e de carinho.
Minhas meninas.

2 comentários:

  1. Oi, Ana! Achei teu blog por aqui nesse mundinho da escrita. Primeiro, queria dizer que estou encantada com o visual do seu cantinho. Muito bonito, viu? E segundo, gostei da ideia de usar o blog de uma maneira diferente, de aliar a boa escrita com o fato de contar sobre os seus dias.
    Agora.. Devo dizer que estou encantada com o seu relato. Tenho alguns professores na família, mas todos decidiram isso somente depois de uma certa idade. Então, ver alguém nova amando tanto assim uma profissão que nós sabemos que não é tão valorizada como deveria ser, é simplesmente bonito demais. Meu pai terminos os estudos depois de velho, assim como as tuas alunas! Ele voltava com um sorriso imenso nos lábios a cada aula e foi uma vitória quando ele recebeu o diploma. Imagino como deve ser grafiticante. Aliás, essas pessoas não estão ali só porque são obrigadas a estudar, elas estão ali porque QUEREM estudar e ser alguém melhor.
    Bem... Vou ficando por aqui, senão eu me prolongaria até não poder mais. Mas eu volto, pode deixar.
    Um grande abraço, @pequenatiss.

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  2. Oi Thais! Hm... Por onde eu devo começar? Agradeço imensamente pelo seu carinho e pela sua disposição de vir até aqui e contar um pedacinho da sua história para mim... Eu imagino a sua felicidade pela superação do seu pai, eu acredito que aprender não tem hora certa e que correr atrás dos estudos, independente de quando, por si só já é uma grande vitória. Trabalhar, ganhar dinheiro, tudo isso, só traz felicidade se nós acordarmos todos os dias felizes por mais um dia de trabalho. Ensinar é maravilhoso, eu costumo dizer que a gente aprende mais do que ensina. Espero ver você mais vezes por aqui.
    Um grande abraço, Ana.

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