quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A tarde, a volta, a saudade e a fotografia


Esses dias eu estava lembrando - enquanto combatia uma incansável luta contra a insônia - da tarde em que você voltou de viagem. Lembro que você me ligou um pouco antes de chegar na estação de trem, avisando que estava a caminho e que é era para eu esperar você. É claro que eu não quis ficar; peguei um shorts branco que eu venho usando com um pouco mais de frequência do que o normal, uma regata preta e as sapatilhas que eu mais gosto e fui direto para a estação. Enquanto eu subia a escada rolante, eu pensei, "caramba, e se ele já estiver a caminho de casa?", o que seria muito comum, pois quase sempre nos desencontramos. No entanto, dessa vez deu mais que certo - no momento em que eu encostei na parede e comecei a olhar para todas as direções procurando um certo loiro com um sorriso no rosto, você me apareceu, passando pela catraca, segurando duas bolsas que pareciam pesar o dobro do que no dia em que eu te deixei no ônibus para encontrar a sua família. 

Você veio ao meu encontro e me deu um abraço que me aninhou inteira, e naquele momento eu pensei, "pode passar um terremoto aqui, um furação, que eu não vou sentir nadinha", encostei o meu rosto no seu pescoço e logo o seu cheiro preencheu todo o vazio que a sua falta me causou... Fechei os olhos e me deixei ser abraçada por você e pela sua ansiedade. Peguei a mala menor e segurei a sua mão - você apertou os meus dedos com força, como se tivesse medo que eu fosse embora. Para onde eu iria?

Fiquei lembrando desse momento, que na verdade não durou mais do que cinco minutos, mas que marcou a minha memória. Sempre que me recordo de você passando pela catraca, sorrindo pra mim - como se não me visse a anos! -, penso que poderia enfrentar o mundo por você. Qualquer coisa.

Fazia um tempo que eu não escrevia sobre a gente, sobre o nosso amor. Não sei. As vezes, eu tenho medo de que as palavras não sejam tão intensas, tão reais quanto o momento. É como uma fotografia: você pode mostrar para todo mundo, mas só você estava lá, só você viu a folha cair da árvore, a sombra mudar de posição, o sol queimar os seus ombros enquanto buscava o melhor ângulo. Um momento que dispensa tradução, descrição. E no entanto, sinto falta quando não escrevo sobre as nossas histórias. Uma parte de mim, precisa ser escrita. A outra, precisa ser apenas a fotografia. De qualquer forma, foi bom. Foi bom voltar a escrever sobre você. 



2 comentários:

  1. Adorei seu texto. Muito bonito *---* A melhor parte foi o último parágrafo. Sei que não tem muito a ver, mas é por isso que eu gosto de fotografia: pode até ser que os outros só vejam a foto, mas eu vou lembrar de como estava me sentindo na hora que tirei... Gostei mesmo. E olha, te indiquei um meme http://analogicbea.blogspot.com.br/2013/01/meme-campanha-de-incentivo-leitura.html

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  2. Oi Bea, muito obrigada pelos elogios! Fiquei muito feliz quando soube que você gostou do texto, fez ganhar o meu dia...

    Estou indo agora mesmo ver o meme que você me indicou! Beijos, Ana

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