segunda-feira, 1 de abril de 2013

A vida, o amor em ato e as andorinhas


Hoje no metrô me ocorreu um pensamento. Eu me dei conta do quanto a vida passa rápido diante dos nossos olhos, como um bater de asas de uma andorinha. Eu fechei os olhos, ignorando todos os braços em volta de mim e a voz eletrônica que anunciava as próximas estações, e me deixei levar pelas lembranças. 

A primeira imagem que passou pela minha cabeça foi os meus pais. Curioso como eu nunca os tinha visto de forma tão doce como hoje. Eu fui uma criança encrenqueira, chorava por tudo (e isso não mudou) e desconhecia a palavra "silêncio". Hoje, percebo o quanto eu errei por deixar de lado todos os ensinamentos que eles me passaram. Uma vez, eu li uma frase mais ou menos assim "a vida não ensina com tanto amor quanto os seus pais". É verdade. 

Mas nem tudo eu perdi. É claro que de muitas broncas algumas coisinhas ficaram. Aprendi a ser educada mesmo nas situações mais insuportáveis, com as pessoas mais desagradáveis do mundo; não crio mais expectativas em ninguém, muito menos em mim, deixo os momentos acontecerem e me dedico ao máximo para que elas sejam boas; tomo cuidado com o que eu falo, pois eu nunca sei quando as minhas palavras podem se transformas em espinhos - não só na minha garganta, como também na de tantos que eu já amei; respeito os meus professores, eles são autoridades na classe e pessoalmente, os meus grandes ídolos. Ufa... 

Abri os olhos. Ainda estava longe da faculdade - e mais longe ainda estavam os meus pensamentos. Voltei a fechá-los e tentei me lembrar da última vez que eu disse "eu te amo" para os meus pais. Forcei a memória, busquei, busquei... nada. Não me lembrei da última vez. Eu era criança, disso eu tenho certeza. Então faz mais de nove anos. Fiquei assustada. Saí do vagão do metrô pensando "eu sou uma péssima filha, eu nunca digo que eu os amo". Isso me corroeu nas escadas rolantes até a transferência no próximo metrô. Porque eu sou assim? Porque eu só consigo dizer o que eu penso escrevendo? 

Quase perto de chegar na faculdade, me ocorreu outra ideia... talvez não seja tão ruim assim. Talvez, apenas, mostrar que ama seja melhor do que falar. Porque usar boas palavras é tão fácil! É tão fácil magoar alguém com palavras, mais fácil ainda é dizer que gosta. Mas demonstrar é um trabalho árduo que precisa ser feito todos os dias, em boas doses. Uma gentileza, um carinho, um "deixa que eu te ajudo" ao invés de ignorar o cansaço alheio... ah sim, com toda a certeza, isso conta muito mais do que dizer doces palavras. 

Voltei para casa no começo da tarde com um objetivo em mente: demonstrar cada dia mais o meu amor pelas pessoas que eu gosto, mais especificamente pelo os meus pais. Um pouquinho todo o dia e daqui a algum tempo isso vai ser natural... 

Tudo isso começou quando eu estava no metrô, quando eu me dei conta de que vida passa rápido diante dos nossos olhos, como um bater de asas de uma andorinha. Eu abri os olhos.

3 comentários:

  1. Q lindo pensamento...Ana,e tudo sim vai se transformar em realidade,tenha fé..bjsss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho fé amiga, muita fé! Obrigada...

      Excluir
  2. Carol, concordo em número, gênero e grau! O amor demonstrado em atos se torna muito mais concreto e verdadeiro do que mil palavras ditas! Excelente reflexão. :D

    ResponderExcluir

Obrigada por visitar O Laço Cor de Rosa. O seu comentário é muito importante para mim!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...