terça-feira, 25 de junho de 2013

Mal entendido


Então as lágrimas se misturaram com as gotas de chuva e já não era mais necessário secá-las com o pano da blusa ou apertar o passo para chegar logo em casa. Poderia passar tranquilamente diante dos outros sem levantar suspeitas - seria apenas uma garota comum voltando pra casa com uma sacola vazia nas mãos. 

Senti os dedos congelando com o frio ao abrir o cadeado. Fui recebida com festa pela Lola (e quando é que não sou?), passei correndo pela cozinha e entrei no meu quarto. 

Deixei as lágrimas caírem descontroladamente enquanto me agarrava ao travesseiro. Você não precisa de uma descrição sobre como foi o choro, pois esse é igual para todos. Uma mistura salgada de resmungos e respiração afobada. 

Estava sozinha em casa, o que foi um alívio. Aos poucos fui conseguindo voltar ao normal, deixando a emoção afastada dos meus pensamentos e dos meus olhos, trazendo a tranquilidade e o arrependimento. 

Descansei por alguns minutos, acordei cansada e com os olhos inchados. Fui ao banheiro lavar o rosto, evitando ao máximo o espelho.

E agora estou aqui, escrevendo sobre uma meia-tarde que poderia ter sido diferente se uma ou duas intenções boas fossem ditas com mais zelo. 

Tais intenções mal interpretadas causaram em duas pessoas reações distintas - em mim, o choro, a melancolia, a culpa - e nela, o mau humor, a grosseria, a solidão. E agora não há nada que possa ser feito. Cada uma seu canto, até que as mágoas sejam esquecidas. 

Espero que dessa vez não demore. Espero que a ferida seja cicatrizada logo para que possamos compartilhar do mesmo sofá como sempre fizemos - e que o choro venha apenas se for acompanhado de lembranças felizes ou boas risadas. Nada de brigas, por favor.

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