quarta-feira, 17 de julho de 2013

Livro da semana: Gabriela, cravo e canela, do Jorge Amado

"E como viver sem ela, sem seu riso tímido e claro, sua cor queimada de canela, seu perfume de cravo, seu calor, seu abandono, sua voz a dizer-lhe 'moço bonito', o morrer noturno nos seus braços, aquele calor do seio, fogueira de pernas, como? (...) Não, nem pensar em perdê-la, como viver sem ela?"


Terminei mais um livro maravilhoso e é claro que tinha que ser do Jorge Amado. Gabriela, cravo e canela é mais uma aventura em que o autor nos leva para conhecer a sua Bahia, os costumes e as feições de seus personagens completos, assim como em Capitães da Areia. 


Mas diferente dos meninos do trapiche, Jorge Amado narra a história de seu Nacib, dono do bar vesúvio e de longos bigodes e Gabriela, retirante do sertão, uma entre tantas pessoas que foram a Ilhéus em 1925, em busca de emprego e de uma vida melhor.


Ilhéus está se desenvolvendo para todos os lados, mas Ramiro Bastos e seus compadres são os únicos que não aceitam essa mudança, tanto na região em si como nos costumes dos ilheenses. Do outro lado, temos Mundinho Falcão, um apaixonado pela cidade que sonha o dia em que a colocará no mapa, trazendo projetos novos para a exportação do cacau e claro, o crescimento da cidade. Os dois se conhecem num campo de retirantes, depois de seu Nacib buscar em toda a cidade uma nova cozinheira para o bar Vesúvio. Ele a encontrou em meio a tantas outras e quando a "entrevistou" não gostou muito, pois Gabriela estava muito suja, os cabelos desgrenhados, enfim, o seu Nacib não a levou muito a sério. Foi só depois de se despedir, quando a ouviu dizer bem baixinho "moço bonito" que o turco decidiu arriscar e levar a retirante para a sua casa. 



O romance de Jorge Amado é um encantamento do começo ao fim. Narrado com muitos detalhes, você termina o livro com a sensação de que é amiga íntima de todos os envolvidos na história, de todos os segredos e romances de Ilhéus. Malvina, Josué, Glória, Ramiro, Tonico, seu Nacib, Mundinho Falcão, Clemente e... Gabriela! Jorge Amado é um dos poucos autores que eu conheço que é capaz de causar essa sensação nos leitores. É um livro que eu indico para aqueles que tem vontade de ler um romance brasileiro, conhecer os costumes na Bahia (e em grande parte do Brasil) da década passada e claro, uma mulher diferente de todas as outras. 

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