sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Correr


Comecei a correr porque eu sabia que não ia chegar a tempo. Estava no ponto a vinte minutos, esperando um ônibus com mais cinco ou seis pessoas. O vento já estava soprando forte, a noite começou a aparecer e no final da rua eu só enxergava as luzes dos faróis dos carros, subindo e descendo a grande avenida.

A última vez que eu corri de verdade foi aos seis anos de idade. Fiz isso pra ganhar a medalha de bronze dos mini-campeonatos da pré-escola. Faz tempo. 

Então, por fazer mais dez anos, eu não lembrava como era a sensação de correr: respiração ofegante, coração na boca, bochechas vermelhas, pernas doendo por causa do esforço, o corpo quente (em contrapartida ao vento frio), tudo isso foi uma novidade e preciso dizer: uma novidade boa. 

Fiz isso por você e não me arrependo - mesmo quando eu comecei a subir as escadas da passarela e vi o ônibus encostando na calçada. Sim, daria tempo, mas e todas as sensações novas? Elas simplesmente não existiriam e talvez você não me recebesse com o mesmo amor que me recebeu quando nos encontramos. Eu, toda cansada, ofegante, quente e você, com o seu abraço e conforto, todo preocupado. Eu encostei o rosto no seu peito e comecei a chorar. Emoção, amor. Agora você sabe.

- Você é a única pessoa pela qual eu correria. 

Talvez seja verdade o que as pessoas dizem sobre o amor. Nós nos tornamos impulsivos, sequer pensamos duas vezes antes de agir. Olhamos lá na frente, ansiando a chegada, o beijo, o sorriso. Não lembramos que as vezes o esforço pode ser maior do que as nossas pernas. Mas eu acredito que são nesses momentos de impulso que nos mantém apaixonados. Nos mantém vivos. 

Amor não tem nada a ver com razão ou emoção, tem a ver com coragem. 

Um comentário:

  1. "Amor não tem nada a ver com razão ou emoção, tem a ver com coragem. " Absoluta verdade!

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