sábado, 7 de setembro de 2013

De uns tempos pra cá


De uns tempos pra cá, tenho andando mais sentimental. Tenho dado mais importância aos que os outros falam, ouvindo-os atentamente, respeitando suas pausas para só depois falar. Tenho misturado alguns temperos na comida e descobri uma terapia que até então me era estranha: cozinhar. Guardei o livro na mochila para poder observar as pessoas no metrô. Algumas dormem, outras ouvem músicas, quase todas estão conectadas com os seus aparelhos. Criei um livro de preceitos, onde coloco todos os aprendizados do dia, pois acredito que só assim, colocando em palavras, não há chances de eu me esquecer. Tenho ouvido algumas músicas novas, cantando Rihanna como se não houvesse amanhã. Descobri que existe uma versão melhor de mim, muito mais paciente e afetiva - ela ainda está chegando, se aproximando aos poucos de mim, mas creio que um dia seremos uma só. Aprendi a guardar o choro e desde então eu não o deixo se fazer presente na frente dos outros. Agora eu só derramo o meu pranto sozinha. Nossa, que expressão é essa que eu fui escolher... derramar o meu pranto. Como se eu fosse Vinicius, escrevendo o Soneto da Fidelidade. 

Fazia tempo que eu não escrevia um parágrafo tão longo com mais de cinco linhas sobre mim. Deve ter algo a ver com o fato de que fazia muito tempo que eu não olhava pra mim - no sentido literal e figurado.

Eu me arrumei e me observei diante do espelho por alguns minutos. A cor dos meus olhos é castanho, igual ao do meu pai. O meu nariz é arrebitado, o que me faz lembrar da Narizinho, personagem do Monteiro Lobato. A minha boca é fina, quase um traço, rosada. Eu gosto dela. Tenho algumas espinhas, herança da minha mãe - mas elas não me incomodam. 

Fechei os olhos e me concentrei até me lembrar de como eu era com nove anos, com quinze, com dezoito. Quantas Anas fizeram parte da  minha vida e me trouxeram até aqui. A Ana tímida, a insegura, a certinha. Tantas, que as vezes dá saudade. 

Sentia muita falta de me olhar assim, denotativa e conotativamente. Era uma parte de mim que eu havia deixado de lado, mas que agora faço questão de observar todos as manhãs. As palavras me acompanham, como sempre - afinal, preciso escrever sobre tudo isso. 

De uns tempos pra cá, tenho andado muito sentimental. 

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