domingo, 27 de outubro de 2013

A chuva, o tempo e as palavras


Ainda bem que a chuva estava forte, pois assim não foi preciso tampar os ouvidos para evitar que a explosão de palavras alcançassem o meu quarto. Era um dia ruim, como outro dia ruim qualquer. Os passos ficaram marcados no corredor e era possível distinguir as vozes. Não havia argumentos, apenas frases e mais frases rasgadas, cortando o barulho da chuva e levando o sono pra longe.

Uma hora da manhã. Duas. Quem sabe se fiquei acordada até as três? O tempo se arrastava, parecia com raiva de mim - era preciso estar acordada e ouvir toda a discussão? O que me salvou foi a chuva. De repente, me deu vontade de ler. Me desfiz das cobertas, peguei o livro e os óculos em cima da mesa, arrumei o meu travesseiro de modo a ficar confortável e li. 

Li até os meus olhos ficarem pesados. Quando me dei conta, já não havia mais discussão e a chuva aos poucos ia se acalmando. Coloquei o livro e os óculos no criado-mundo (que nome mais engraçado, não?), me cobri até me sentir segura. Adormeci num sonho em branco e no dia seguinte, eu estava sozinha, no silêncio e na calmaria. 

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