segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os diários de mudança


Já devo ter comentado algumas vezes em meus ensaios sobre mudanças. Quando eu era mais nova eu ficava embaixo do cobertor e rezava bem baixinho para que as pessoas não fossem embora, que a Pandora vivesse para sempre, que eu nunca deixasse de ser criança. 

Pode parecer besteira e num ponto até concordo que seja, mas era o meu escudo contra o novo dia. Tinha medo do desconhecido, medo de que a Maria não voltasse, medo de que o meu corpo mudasse e eu não fosse mais convidada a brincar nos parquinhos. 

Mas a história de ficar embaixo do cobertor não durou muito tempo. Eu cresci, a Pandora adormeceu, a Maria está cuidando da mãe e costumo passar longe dos brinquedos - eles simplesmente perderam a garça. 

E hoje, enquanto estava limpando o meu criado-mudo (que expressão mais curiosa, não?), eu encontrei os meus cadernos ou diários - chame-os como quiser, escritos durante a minha adolescência. O caderno da primeira foto foi escrito quando eu tinha doze anos. Ele é recheado de poesias e de colagens, além de uma ou duas cartinhas de amor.


Não é preciso dizer que a faxina acabou nesse instante, não é mesmo? Eu comecei a folhear um por um e aos poucos as lembranças vieram à tona - todas as mudanças e transições passearam diante dos meus olhos como se estivesse dentro de um filme. Eu me vi enquanto levava a Pandora para passear, a Maria esperando o transporte escolar comigo embaixo de uma árvore, as minhas conversas malucas com a Belinha (minha boneca de pano), o primeiro beijo, o primeiro encontro...

Todas as mudanças pelas quais eu passei e que fizeram de mim a garota que eu sou hoje. Toda a ansiedade que me fez perder o sono, todo choro abafado pelo travesseiro, todas as borboletas que surgiram no estômago após um "eu te amo", todas as promessas que foram cumpridas e até mesmo as desfeitas, fizeram de mim a garota que eu sou hoje. 

Acabei me dando conta de que as mudanças não são cruéis, mas que dependem muito do nosso ponto de vista. Quando eu era criança, eu não as entendia, simplesmente porque como criança, eu gostava de tudo certinho, dos dias iguais. Já na adolescência a rotina não me agradava - eu precisava realizar algo novo todas as tardes. E agora, que não me encontro em fase nenhuma (jovem é um termo muito relativo, então prefiro não empregá-lo), agora eu sei que as mudanças são as janelas que a vida escancara diante dos nossos olhos, para que possamos arriscar e assim, descobrir algo bom e bonito em nós mesmos e no mundo que nos cerca. 

Aprendi a aceitá-las de bom grado, sem reclamar se pularam o muro ou se pediram licença para entrar em casa. Mudanças são mudanças - e sempre é para algo melhor, nós só precisamos estar preparados para recebê-las. 

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Também costumo guardar minhas agendas/diários, acho legal ver as coisas que a gente pensava a tempos atrás :)

    Beijos :*
    http://pequenosviciosdiarios.blogspot.com.br/

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  3. Nunca tive paciência pra diário, rs. Minha forma de desabafo era sempre o choro. Hoje me arrependo de ter jogado fora as poucas anotações que eu tinha...

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  4. Respostas
    1. oi Ana Polo!
      me chamo Géssika, mas não tenho blogger...
      achei sua coleção de Diários incríveis, e me fez recordar de uma burrice que eu fiz, e que hoje eu me arrependo muito, e sinto saudades dos meus diários...
      tive 2 namorados, e o atual leu meus diários, e não gostou pois tinha meu ex envolvido, então tive que dar um fim nos meus diários, mas fiquei muito triste que poxa era minha adolescência neh? não só havia o meu ex-namorado, havia amigos queridos, fases, momentos diferentes, lugares diferentes que hoje talvez não sei se passarei e enfim...
      acho ridículo quem pensa da maneira que meu atual namorado pensa, que escrever em um diário é coisa de criança, pelo-menos escrever e ler nos faz crescer em pensar na vida, e ajuda muito a desenvolver os pensamento.
      hoje tenho 21 e continuo a escrever em um diário, mas nunca mais farei a burrice de jogar minhas histórias no lixo.
      há e comecei a escrever com a mesma idade que vc Ana Polo!
      bjs flor amei sua coleções de diários!!! e guarde bem não deixe nunca que alguém passe pela sua vida, e te faça o mesmo comigo pois momentos agente só vive uma vez, e namorados alguns são apenas passageros

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    2. Olá, Géssika!

      Poxa, fico triste por saber que você teve que dar um fim nos seus diários... é algo tão pessoal, é o nosso elo com o que já vivemos, com as pessoas que conhecemos...

      Mas por outro lado, fico feliz por saber que você voltou a escrever! Só não deixa ninguém ler, ok? hehe

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