sábado, 5 de outubro de 2013

Outra vez


Outra vez recorro ao papel para me expor. Outra vez recorro a alguns sons que formam palavras e que transformam sentimentos. É preciso dizer que eu não queria - a intenção era guardar, ou melhor, aguardar até que esse sentido se misturasse a tantos outros dentro de mim. Escolher as palavras certas se tornou uma tarefa muito mais árdua depois que eu comecei a estudá-las de perto. Como dizer o que sinto sem magoar ninguém? Como expor o meu medo sem causá-lo no outro? Como posso transferir o que sinto correr pelo meu corpo até me deixar zonza sem me despedaçar durante o trajeto? Ah... 

São tantas as dúvidas e contradições que me encaram todos os dias que já não as distingo claramente. Eu sinto, mas sei que não posso dizer - o sentido muda tanto ao longo do dia que não me arrisco perde-lo diante de uma discussão. Por mais que eu tente, não consigo dizer o que eu penso sei soar rude demais - é por isso que faço um esforço diário para controlar cada vírgula que sai da minha boca.

Então, eu guardo e aguardo a dor passar. Espero com a cabeça no travesseiro ou com olhos no livro, até que eu já não sinta nada. É tão mais simples, até porque ninguém questiona, pois por fora, está tudo bem - eles não sabem que o tormento se esconde por dentro.

Mas hoje não consegui segurar a ânsia de voltar ao papel. Eu precisei, entende? Eu precisei escrever, ouvir o barulhinho do grafite enquanto contornava algumas letras redondas. É uma terapia que começa no coração, passa pelos sentidos e se dissolve em linhas - e que termina com a serenidade. Finalmente a espera acabou.

2 comentários:

  1. Confesso. Não sou árdua leitora. Mas me sinto sua leitora. E digo mais, sou inscrita em tantos blogs, mas sempre que me dá vontade de ler, sempre tem alguma coisa sua na minha TL do FB. É como se fosse uma seta mostrando a direção para o que preciso e o tipo de texto que gosto de ler.

    E confesso outra coisa. Não sou nada leitora de livros. Não tenho autores preferidos. Não tenho uma cultura literária como você. Mas respeito, tenho admiração por quem lê vários livros... Pessoas que sempre têm textos muiiito tocantes como os seus. Ainda lembro o texto que escreveste sobre a tragédia do Haiti. É um dos meus preferidos.

    Bem. Vou seguindo meu trajeto. Aliás, o seu. Conferir ainda mais o seu gosto.
    Um beijo e mais um novo texto!
    Obrigada!

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    Respostas
    1. Poxa, Rafa! Você me emocionou... muito obrigada por esse carinho, fico feliz por saber que você gosta do meu cantinho cor-de-rosa. <3

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