sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Amor em dobro


É necessário apenas que eu atravesse a rua da minha antiga casa para que as lembranças retornem com força. Não preciso nem passar pela mesma calçada - aquela em que eu esperava a perua ansiosamente para ir à escola e que nas férias era a minha pista particular, onde eu andava de bicicleta e levava a Pandora pra passear. Um filme estranhamente conhecido me acompanha por todo o caminho até a minha atual morada. 

Lembro da sensação que tinha quando aguardava a Maria chegar nos dias em que eu acordava antes das oito horas. Lembro da sombra e da brisa que a pequena árvore do vizinho nos oferecia enquanto aguardávamos a perua. Lembro das minhas tentativas frustradas de subir no pé de amora. Lembro das lambidas carinhosas que recebia da Pan todos os dias, retornasse da farmácia que ficava numa esquina ou de uma viagem.

Porém, entre tantas lembranças, não ficou nenhum cheiro, nenhuma recordação material. É disso que eu mais sinto falta: de algo concreto que eu pudesse me apegar quando a saudade apertasse, do nome do creme hidratante da Maria, para que eu pudesse comprá-lo, da coleira da Pan ou de qualquer paninho que a minha cadelinha usasse para se deitar... qualquer coisa que não fosse apenas mistério, apenas um emaranhado de ideias e algumas fotografias. Eu queria mais, muito mais. 

Infelizmente (ou não), as emoções não guardam a suavidade das mãos ou dos pelos. 

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