terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mudanças de lua cheia


Posso ver a lua cheia da janela do meu quarto. Antes de pegar no sono, procuro o meu livro entre caixas e mais caixas de papelão, até encontra-lo por cima de uma mochila antiga - cor-de-rosa, é claro – onde guardei por alguns dias os meus cadernos, estojos e carimbo.

Até alguns dias atrás, eu não ousaria chamar essa casa de lar. A primeira impressão foi de estranheza e também de egoísmo. Não queria mudar. Não queria reposicionar todos os móveis do quarto ou encaixotar os meus livros, logo agora que conseguira um espaço para eles. Meu irmão disse que era normal se sentir assim, pois eu estava saindo da minha zona de conforto.

Estava procurando meios de me adaptar e de me acostumar com a nova rotina sem acesso à internet, sem os latidos do Jack, o cachorro do vizinho e sem todas aquelas inumeráveis imperfeições do meu antigo quarto, como por exemplo, a goteira. Lembro como se tivesse sido semana passada (se é que realmente não foi semana passada) o dia em que minha mãe colocou um potinho de margarina na minha estante, exatamente no lugar onde as gotas da chuva caíam, ora apressadamente, ora lentamente, inundando o meu sono com o “plic plic plic” sem parar. Era irritante, mas até disso senti falta. Que zona de conforto mais idiota essa minha.

De qualquer modo, todo o desconforto perante a mudança acabou quando na primeira noite, me aproximei da janela que agora tem no meu quarto e me deparei com a lua cheia, imensa, brilhante e longe. Seria poético demais para o meu gosto dizer que era a coisa mais bonita que já vi em toda a minha vida, então, para evitar romantismo em demasiado, vou dizer que a lua cheia foi a coisa mais bonita que avistei na nova casa naquela noite.

Depois de um tempo apreciando sua perfeição, o que não passou de uns dois minutos, peguei o livro, coloquei os óculos na cara, amaciei o travesseiro com umas batidinhas de leve, encostei as minhas costas doídas de tanto abaixar para pegar caixas e mergulhei na leitura.


Foi uma noite tranquila e silenciosa, na companhia da lua cheia e de um bom livro. A primeira noite de muitas, no que agora chamo de lar.

3 comentários:

  1. Que lindo, Ana!
    Super normal, realmente, se sentir assim... espero que você se adapte rápido ao seu novo lar!
    Beijos

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  2. Mudancas sao sempre bem vindas, no inicio e dificil, a gente fica meio que resistente..mas sempre marca nossa vida, deixando saudades do que vivemos e que ficou pra tras..que seu novo lar seja o que ha de melhorrrr. Bjs, Nay

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