terça-feira, 10 de dezembro de 2013

No lugar


Não sei o que aconteceu dessa vez, mas não consegui transbordar o medo. Nem por um segundo meus olhos se enxeram de lágrimas - e no entanto, senti uma dor breve, dessas que a gente poeticamente diz que sente no coração. Antes de tentar entender a minha estranheza com a falta de choro, é necessário que você saiba uma ou duas coisas sobre mim: eu nunca fui boa com palavras ditas, apenas com as escritas. Sinceramente, para falar eu sou uma droga - não que eu seja grande coisa escrevendo, mas você entendeu o meu ponto de vista. Então, quando eu não sei expressar a tristeza que sinto, eu choro. 

Mas dessa vez, não consegui. Senti, senti aquela angústia, aquela necessidade de por pra fora a dorzinha no coração que já citei por aqui, e nada. Foi a primeira vez que me senti perdida, simplesmente por não saber o que fazer com aquela ausência de choro. Tenho algumas teorias sobre isso, mas vou poupá-los do caos das minhas ideias e contar apenas aquela que para mim, é a mais pertinente: depois de algum tempo lidando com as lágrimas, aprendi que antes de mais nada, é necessário a calma, a paciência. O choro alivia, mas por si só, não resolve. Foi preciso de mim um grande amadurecimento para que eu pudesse perceber isso. E hoje, eu sei que posso dar conta da ansiedade e do medo, sem que para isso eu tenha que me esconder dos outros e disfarçar os olhos inchados. 

- Um grande parênteses -

Mas sobre o que você está falando, Ana? O que te afligiu tanto? - você deve estar se perguntando. Bom, pense na pior notícia que você gostaria de receber num dia ensolarado e bonito. Acrescente a esse pensamento uma pessoa no qual admira e gostaria de ver bem. Então.

- Voltando ao texto -

Dentre tantas teorias, essa foi a que mais fez sentido. Mas ainda tem muitas, muitas. Vou precisar de muito tempo para entender tudo o que acontece dentro de mim, e mais ainda, para entender o que acontece lá fora, quando tudo parecia estar no seu devido lugar. 

Um comentário:

  1. Já me aconteceu uma tristeza dessas que o dia é mais azul, aonde as pessoas estão intocavelmente felizes. Estava voltando pra casa. Eu tinha um gato (desses loirinhos). Eu tinha pouca idade. E eu era apegada aquele bichinho tão pequeno. Ele não tinha morrido. Só não estava do jeito quando me despedi dele.
    Mas já tive súbitas tristezas que os dias belos tentaram em esconder.

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