terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Passarinho


Um ano se passou desde o dia em que eu publiquei esse texto (leitor ansioso, deixe para clicar no final desse texto), um dos mais sinceros e mais tristes que eu já escrevi. Um ano. 

E ainda é dói. 

Mas agora, é uma dor que não incomoda - o que antes poderia ser comparado a uma casquinha formada por uma grande ferida, hoje é apenas uma cicatriz que nunca foge dos meus olhos: eu a vejo sempre que ouço alguém falando com sotaque nordestino perto de mim, quando meu pai faz caldo mocotó e as lembranças daquelas tarde em que eu, criança, sentava debaixo da mesa pra tomar o meu caldinho em paz surgem e causam um aperto no coração ou quando vejo as fotos dos meus primos de consideração nas redes sociais. 

Já faz um ano. 

O tempo passará por mim e os anos se estenderão. Dois, três, quatro. A contagem não terminará no esquecimento. 

- Por que você, tio? 

A vida é um grande mistério pra mim. As pessoas mais boas que eu conheci não permaneceram muito tempo em minha vida. Em vida. Elas se distanciaram por tantos motivos que me cansaria listá-los, mas alguns são tão comuns... família, trabalho, estudos. Por tantas razões eu já me despedi, mas não gosto de pensar muito nisso. 

Tive aula de Semântica, então eu posso dizer que tenho consciência de que esse texto pode não fazer sentido para você, leitor. Mas olha, não sei se servirá de desculpa, mas é que eu estava chorando. As lágrimas caíram e formaram pequenas bolinhas nos meus óculos - ao mesmo tempo em que conversa com a minha mãe e dava uma olhada na televisão de vez em quando. Tudo junto. 

Eu só queria entender. Entender porque faz um ano que ele se foi quando poderia não fazer nenhum. 

"Passou e já se perdeu nos milhares de pensamentos que eu tive hoje. Gostaria de dizer que irei me lembrar desse dia, desse sentimento a vida toda, mas tenho muito medo de que a realidade seja outra. Acho que depois de um tempo - um longo tempo, a dor deixa de incomodar."

Esse é um dos últimos trechos do primeiro texto que eu escrevi sobre a saudade. Ano passado. Eu acreditava que a dor passaria, mas ela ficou. E eu junto com ela, fui ficando também. 

Um comentário:

  1. Ótimo texto! Me identifiquei muito com a frase " eu acreditava que a dor passaria, mas ela ficou" é bem assim.

    www.voamari.com

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