segunda-feira, 19 de maio de 2014

Pensamentos no infinitivo

É num domingo a noite, isolado e chuvoso que pensamentos assim aparecem aos montes. Eu deveria ler, buscar algum conforto nas palavras impressas ao invés de rabiscar inúmeras vezes o meu caderninho. Estou com tanto medo de não conseguir mais juntar versos. Será que esse é um possível sinal de que a "adultisse" se instalou por completo? Prefiro não ir atrás dessa resposta. Quero ficar bem quietinha no meu canto, juntando todas as lembranças da infância para dar asas a imaginação. Era uma vida tão leve, quando os ponteiros não me davam nos nervos e o tempo era meu companheiro. Eu fui uma criança feliz, com uma melhor amiga de pano e uma  fiel escudeira canina. A tarde era tão curtinha pra todas as nossas brincadeiras inventadas. E quem cuidava do horário? Era a Ma. Aliás, não posso esquecer de ligar pra ela amanhã. O que será que aconteceu com a minha alegria de menina despreocupada? Deve estar escondida sob as olheiras, ou quem sabe, esquecida no bloquinho de anotação recheado de tarefas não realizadas. Eu queria um dia sem responsabilidades: um dia para ler até as pálpebras se fecharem sozinhas, para dormir e acordar as dez horas da manhã, para levar a Lola a um passeio que dure mais de cinco minutos. Quem me lê assim, pode até imaginar que vivo reclamando, como se o gerúndio fosse a minha forma nominal favorita. Mas não é verdade e nem ouse dizer que é o particípio, se não ficarei chateada. Eu gosto do infinitivo, a ação propriamente dita, sem muitas complicações e rodeios. Gostaria de um dia assim, só de infinitivos flexionados... é o que peço nas minhas orações.

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