domingo, 22 de junho de 2014

O que carrego comigo

Nem passou pela minha cabeça a sorte que tive por não ter passado rímel de manhã. Se tivesse dedicado alguns minutinhos em frente ao espelho, certamente todas as minhas decepções aumentariam, pois chorar já é ruim, mas chorar com os olhos borrados e grudentos é ainda pior.

É claro que eu ainda não tive tempo de me debulhar em lágrimas. Aliás, nem sei se terei. A presença delas me incomoda, ainda mais quando embaçam as lentes do óculos. Eu não consigo enxergar e nem pensar em tudo o que aconteceu com clareza. É frustrante, principalmente porque as pessoas já sabem que eu sou chorona, ou seja, porque continuo mantendo as aparências?

Só consigo me organizar quando sento nesta cadeira branca de plástico e posiciono o computador na mesinha de bar que comprei a pouco mais de um ano. Ligo o skype por costume e depois, abro a terrível página em branco que não vê a hora de me ler, de me arrancar todos os segredos e desabafos que insisto em guardar a sete chaves dentro de mim. 

Sabe, queria não ter essa dificuldade. Acho que eu me relacionaria melhor com as pessoas caso eu soubesse me expressar melhor no cara a cara. Não posso atribuir mais a culpa a timidez, pois vinte anos já é tempo o suficiente para uma superação, nem que seja a mais simples de todas. Culpo a mim mesma e os defeitos que me acompanham desde sempre. 

Pronto. Estou chorando. O óculos já está cheio de bolinhas. Vamos torcer para que eu não deixe escapar nenhum acento, e mesmo que eu deixe passar, peço que não me corrija. Temos um acordo? Eu conto minhas histórias e você ignora os erros de ortografia. 

Mas eu me esforço. Deus sabe que me esforço para me adaptar as mudanças, as pessoas e até mesmo aos livros que não tem nada a ver comigo, mas que ganhei de aniversário. Eu me mantenho positiva, olhando para um copo meio cheio e cruzando os dedos na tentativa de conseguir ser gentil e não deixar escapar nenhuma palavra mal intencionada.

Chego até a pensar que as vezes eu consegui ser boa por um dia inteiro, mas em qualquer momento, tudo é posto a prova: o tom da voz, os costumes de casa que carrego, os defeitos que herdei do pai e da mãe. Tudo é observado e nada é deixado de lado - e mais uma vez, me apresentam uma Ana que não gostaria de ser, uma Ana que custo a acreditar que seja essa que está escrevendo. 

Agora, os soluços. E pensar que até mesmo o choro segue uma ordem e classificações. Tem o choro por birra, o de tristeza, o de alegria e tantos outros que prolongariam ainda mais esse texto. Eu não sei definir qual é o meu, mas gostaria de evitá-lo enquanto escrevo. Existe algum jeito?

Então, eu peço desculpas. Estou longe de ganhar algum troféu por ser a melhor filha do mundo ou a amiga mais presente ou a namorada perfeita. Tenho defeitos e eu nem sei por onde começar a mudança. Queria ser muitas coisas, mas não posso ser outra pessoa se não eu mesma. Tento lidar com essa realidade da melhor maneira possível, mas estou começando a pensar que talvez o meu copo não esteja assim, tão cheio. 

Nariz escorrendo. Sério mesmo? Não basta chorar, embaçar os óculos, soluçar uma ou duas vezes, ainda preciso levantar toda hora pra buscar lenço e fazer um barulho absurdamente constragendor enquanto assouo o nariz?

Não estou querendo me defender, não uso as palavras como armas. Mas eu gostaria de entender o que  se passa comigo. Porque não consigo ser boa o tempo todo e porque mesmo quando sou, isso não se sobressai ao que fiz de errado, as coisas que disse sem pensar. Porque eu tenho qualidades, certo? Todo mundo tem; o que me leva a outros pensamentos que talvez compartilhe depois, mas por hora... eu só quero dormir. 

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