quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O amor mais velho

É praticamente impossível pensar em você e não deixar um sorriso escapar da boca – e olha que ainda evito mostrar os dentes aparelhados. Mas não tem jeito. Você desperta o melhor em mim, mesmo quando eu não consigo enxergar. Ontem eu fiquei brava com você, e só de lembrar nas coisas que pensei já me desfaço dos óculos, porque sei que as lágrimas irão chegar a qualquer instante.

Ainda está cedo para pensar nos próximos meses, mas aí está um péssimo hábito dos ansiosos: nós criamos planos e inventamos diálogos sem consultar a cronologia. Não há tempo que seja muito nem pouco, tudo é agora.

Eu sei que quando chegar o dia, irei sentir sua falta mais do que tudo nessa vida - mais do que a Pandora, mais do que a Maria. Sim, até a Maria já me é uma saudade boa, dessas que a gente lembra sem chorar, dessas que a gente fala com entonação de criança que recorda as pequenas grandes aventuras da infância.

Vou até me arrepender de ter dormido cedo todos esses meses porque tinha que acordar cedo no outro dia. Por meses, nós apenas nos víamos nos finais de semana – e era sempre aquela correria louca – você saindo antes do almoço e eu, logo depois. Queria muito ser egoísta a ponto de pedir para você não sair ou usar a boa e velha chantagem emocional de irmã caçula. Apesar de tentada, recuso minhas próprias ideias. Que maluquice querer que você fique só aqui, quando nossos pais nos criaram para o mundo.

Olha só como eu sou enrolada: uso uma porção de palavras numa relação sintática até que agradável a um leitor qualquer, apenas para dizer que eu te amo e que sentirei sua falta. Apenas para dizer que se um dia, você digitar o link do meu blog e procurar pela “tag” saudade, é esse texto que vai encontrar.

Mas ainda dá tempo. O que eu escrevo aqui é resultado dos pequenos instantes da minha vida em que deixo a ansiedade tomar conta do teclado. Ainda dá tempo de te acordar cedo nos sábados, de te imitar quando você fala sério (algum irmão caçula perde esse hábito?), de colocar a culpa em você mesmo quando a mãe e o pai sabem que fui eu que larguei o pote de geleia aberto.


Ainda que nós não tenhamos mais a mesma proximidade geográfica, você será o exemplo mais presente na minha vida; o amor mais tranquilo que eu poderia pedir a Deus – e você não faz ideia do quanto me sinto orgulhosa quando dizem que pareço contigo.

2 comentários:

  1. Nossa, Ana! Quase não dá pra acreditar: esse texto veio no momento certo pra mim. Meu irmão mais velho só irá nos ver nos fins de semana dentro de alguns meses. Ele passou em um concurso e ficará um ano fora! Recebi a notícia hoje e olha, sei que vou sentir muita falta dele... quem sabe até mesmo das brigas. Impossível conter a emoção :')
    Parabéns pelo blog e pelos textos cada vez melhores. Bjs da Sara.

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    1. Oi, Sara! Também vou sentir falta das brigas, haha. Vamos ficar firmes, minha querida. Pensar no que é melhor para eles. A saudade vai ser uma companheira, assim como as boas lembranças. Bjs

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