sábado, 2 de agosto de 2014

Parágrafo único

Gostaria de saber se você já sentiu isso. O quê? Ora, é complicado explicar. Não sei qual substantivo devo usar, é bem aqui, olha. Está um pouco acima das borboletas que a gente sente no estômago. Uhum. Bem aí. Essa sensação costuma vir acompanhada de uma quietude que me assusta. Você sabe que não sou uma pessoa silenciosa, não é mesmo? Gosto de colocar as palavras em movimento; transformá-las em sons, pousá-las no ar enquanto aprecio a sua sobrancelha movendo-se para cima. Mas não é só isso que me incomoda, não. Logo depois dessa emoção primária, vem uma vontade absurda de escrever. Sobre o quê? Bem, isso não importa. Aliás, fique sabendo que nunca pensei muito antes de prencher qualquer linha - sou movida pela intuição - se bem que de vez em quando eu até passo um rabisco a limpo, confesso. Corrigo um errinho aqui e outro ali. Troco uma palavra por outra e por aí vai. Mas isso fica entre nós. É, eu sei. Você não vai contar pra ninguém. Bem, continuando. Então eu começo a escrever e as palavras vão surgindo e formando sentenças que formam parágrafos e quando dou por mim já estou no último ponto. É uma doidera só. Foram tantas ocasiões que eu acabei percebendo uma c... Ei, porque você arregalou os olhos? Posso não ser a pessoa mais detalhista que você conhece e sempre deixar alguma coisa escapar da minha atenção, mas isso não quer dizer que eu não perceba esses mínimos gestos que acompanham esses mínimos sentimentos que aqui descrevo. Hupf. De qualquer modo, eu percebi que depois de escrever eu me sinto melhor: a quietude passa e dá espaço aos diálogos familiares, aquela sensação parecida com borboletas no estômago também se esvai e ouso dizer que é um pequeno alívio. Você vai me chamar de exagerada como já chamou outras vezes, mas a escrita é meu porto seguro. Eu sei, eu sei. É clichê e você não suporta clichês. Ainda dá tempo de trocar a metáfora? Ok, deixa eu pensar... A escrita é o que mantém os meus dois pés no chão, sustenta os meus sonhos e me oferece equilíbrio. Cada passo que dou, cada palavra que deixo com a minha caligrafia redondinha de criança é uma forma de dizer "estou bem" para o mundo. Não que o mundo dê muita importância para isso, é claro. O quê? Ah, sim. Eu sei que você se importa. 

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