sábado, 31 de janeiro de 2015

Parente

Eu te dou "segundas chances" desde os tempos em que dividíamos as bonecas, o fogãozinho, a atenção de quem nos rodeava. Eu gostava de você, porque para mim, você era uma irmãzinha. Nada mais esperado que eu ignorasse as suas mentiras, algumas eram tão criativas que me impressionavam - queria eu saber mentir assim, trocar um sim pelo não sem desviar os olhos, sem estralar os dedos. Mas a idade foi chegando e o que antes era admirável, passou a ser repudiante. E mesmo assim, continuei ao seu lado, atendendo aos seus pedidos extravagantes, te ajudando na escola, te acobertando - porque hoje eu sei mentir também. Contudo, carrego a culpa, o arrependimento e isso sempre será o meu fraco. As decepções foram tantas, que não me impressiono quando você me deixa na mão - mas basta eu negar seus pedidos uma única vez, para que você e a sua mãe me virem as costas. Confesso que não sei lidar com o interesse que rege a sua relação comigo. Gostaria que fosse amizade, carinho, mas já sei que não podemos ter tudo. E todas as vezes que te peço algo e você me trata desse seu jeitinho torto, eu choro. Choro, porque a minha irmãzinha cresceu e julga não precisar de ninguém. Choro, porque não posso te ajudar. Choro, porque sei que você irá me pedir qualquer coisa de novo, e eu o farei. 

2 comentários:

  1. Olá, Ana! Achei seu blog por acaso na internet e estou gostando muito, parabéns! Vou continuar acompanhando.
    P.s: também sou estudante de letras, ainda vou para o segundo semestre.

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    Respostas
    1. Oi, Simone! Fico feliz por saber que você acompanha o blog! Boa sorte no curso.

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