terça-feira, 30 de junho de 2015

Leitura da semana: O meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos


Esse livro é uma preciosidade que a Ana, minha amiga desde a época das meias 3/4, me presentou no meu aniversário de 21. A primeira vez que o li, tinha por volta dos 16. Ainda estava na escola e no quesito "literatura", eu me descobria aos poucos. Lembro que certa vez, quando estávamos na biblioteca, a Ana disse para eu ler, que era uma história linda e tudo mais. Aceitei a indicação e li. 

É verdade que não faz muito tempo desde que isso aconteceu - 5 anos e alguns meses. Contudo, a nossa memória é bem espertinha, guarda o que lhe convém e apaga todo e qualquer registro que ao ser lembrado, nos traga a sensação ruim de volta. Pois bem, quando ganhei esse livro no mês passado, eu lembrava que já tinha lido, mas não consegui me recordar da história. 

Hoje, sinto como se nunca mais fosse esquecer.


Zezé é um menininho de 5 anos, que vive com os pais e com os irmãos. A realidade da família é dura, o pai está desempregado, a mãe trabalha praticamente o dia todo na fábrica e os irmãos cuidam um dos outros. Para encarar a pobreza, mas principalmente, para fugir da realidade triste que o cerca, Zezé cria um mundo de fantasias: inventa um zoológico no quintal de casa, tem um amigo morcego, cujo nome é Luciano, faz peripécias que deixam os vizinhos aturdidos - e que o deixa com diversas marcas no corpo, pois sua família é muito severa com ele, moral e fisicamente.
- Diga sério, você acha que sou tão ruim, tão malvado como todo mundo diz?
- Malvado, malvado não. O que acontece é que você tem o diabo no sangue.
Quando chega o Natal eu queria tanto não ter! Eu gostava tanto que antes de morrer, uma vez na vida, nascesse o Menino Jesus em vez do Menino Diabo, pra mim.  
Neste mundo cercado de desventuras, Zezé encontra num pé de laranja lima o amigo que nunca teve, seu confidente. Mas também encontra pessoas que trazem novos sentimentos em sua vida tão escassa de amor. É principalmente no Manuel Valadares, o Portuga, em que Zezé descobre o verdadeiro significado de afeto e a relação dos dois é como a de um pai com um filho.

- Eu não acredito que sejas assim tão peralta como dizes.
Aí eu fiquei muito sério.
- Eu não presto para nada. Sou muito ruim. Por isso é que o diabo nasce pra mim no dia do Natal e eu não ganho nada. Sou uma peste. Uma pestinha. Um cachorro. Um trase ordinário. Uma das minhas irmãs me disse que coisa ruim como eu não devia ter nascido... 

Zezé é muito inteligente e perspicaz, talvez porque a vida ensinou-lhe muito cedo o que é a dor e a saudade. Este é um livro arrebatador. José Mauro de Vasconcelos, com suas palavras simples, transmite uma história singela de um garoto que aprendeu tudo muito precocemente: tanto o amor,  a amizade, como a dor, a perda.

Não consigo escrever mais sobre o Zezé, leitores. É difícil, é dolorido. Peço desculpas por isso.

2 comentários:

  1. Esse livro, faz algum tempo que está entre meus desejados! Esses dias consegui enfim uma troca de um livro que já tinha por ele, no Skoob! Ainda não chegou, mas tô na expectativa!

    Aconteceu assim comigo, com O Pequeno Principe, eu havia lido quando estava no inicio da adolescência, e eachava que não me surpreenderia mais ao re-ler agora, há alguns meses, mas eu fiquei besta com tanta coisa que mudou em mim, nessa re-leitura <3 <3

    Beijos, Amada! Yasmim
    http://www.yasmimsramos.com.br/

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    Respostas
    1. Muito legal, né Yasmin? E muito interessante saber que você fez a troca por intermédio do Skoob!

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