sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Professor de História


Meu professor de História era um barato. Quando ele chegava na sala, no último ano do Ensino Médio, eu já estava com o material pronto, aguardando ele iniciar as anotações na lousa para depois, explicar detalhadamente o significado daqueles tópicos repletos de datas. Ele dava aula de História contando histórias. Isso pode até soar óbvio, mas não é. Conheço muitos professores que dão aula sobre os nossos antepassados como se estivessem lendo um roteiro de um documentário muito chato. O meu professor era diferente - ele contava como se realmente tivesse presenciado os fatos, como um narrador observador que sabe manter a imparcialidade. Contudo, o que mais me encantava naquele cara não era o dom para lecionar que certamente ele tinha, mas o amor com que ele falava sobre os fatos históricos - e eu sabia, já naquela época que eu queria sentir pela Língua Portuguesa exatamente o que o meu professor sentia pela História - e sobretudo, transmitir esse amor não só com as palavras, mas com o olhar, com os gestos, exatamente como ele fazia.

Hoje, estou cursando Letras, caminhando em direção à Educação, voltando para a sala de aula - só que dessa vez, como professora. Por muitas vezes eu já pensei se estava seguindo a direção certa, se daqui a alguns anos eu não me arrependeria da decisão que tomei. Então, eu começo a lembrar do Ensino Médio e das aulas que tive com esse professor, do quão especial ele foi para mim e para os meus colegas. E nessa hora, chego a conclusão de que eu não poderia ser outra coisa, ou pelo menos, não seria tão feliz quanto sou, apesar de todas as dificuldades diárias. Lembro dele e sorrio, porque ele me ajudou ainda que inconscientemente, a tomar a decisão certa.

Pois bem, e não é que hoje eu o encontro na escola em que estou fazendo o meu estágio? Foi uma surpresa e tanto! Ele me reconheceu, mesmo depois de 4 anos. Ele disse meu nome e a minha turma e eu o abracei e senti vontade de falar tanta coisa, mas principalmente agradecer por ele ser do jeitinho que é. Esse professor agora será meu colega de trabalho e eu o verei quase todos os dias por aqui. Não sei nem o que pensar sobre isso. É um pouquinho da Ana do Ensino Médio, que relembra os tempos da escola combinado à Ana da Graduação, que se emociona ao rever um professor querido. Senti minhas bochechas queimarem e achei melhor deixá-lo com o outro professor que estava ao seu lado, passando algumas instruções. Minha sexta-feira está terminando de um jeito agradável, com algo que eu jamais esperei que fosse acontecer. É por essas e outras surpresas que eu não deixo de me impressionar com a vida e com as voltinhas que ela dá. 

4 comentários:

  1. Aninha! Amei sua história, e as coincidências da vida te colocando de frente com seu professor/modelo.. <3

    Yasmim
    http://www.yasmimsramos.com.br/

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  2. Nossa Ana, como é a vida é né? Haha, também quero cursar letras lic. port/ing, e não vejo a hora de começar!
    Ah, eu deixei uma perguntinha lá, sobre o curso tá?
    Beijão!

    manteigademinduim.blogspot.com

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