sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Leitura da semana: Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida


Inicialmente publicado em folhetins entre junho de 1852 e julho de 1853, Memórias de um sargento de milícias é um romance urbano do escritor Manuel Antônio de Almeida, que conquistou uma posição única na literatura brasileira, muito pelo estilo da narrativa, onde temos um narrador supostamente observador dos fatos que convida o leitor a participar da história, dando-lhe explicações quando necessário, como também pela sátira distribuída em situações e nos personagens extravagantes. 

O romance se passa "no tempo do Rei", no século XIX, quando D. João VI esteve no Brasil (1808-1821). É apresentado para nós, leitores, o início do namoro de Maria da Hortaliça e Leonardo Pataca, ambos portugueses que vieram ao Brasil. 
"Era isso uma declaração em forma segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares que pareciam sê-lo de muitos anos." (Pág. 15)
Deste relacionamento nasce Leonardinho (o primeiro malandro brasileiro), um garoto que desde pequeno adorava aprontar, dando muito trabalho aos pais e aos padrinhos. Certo dia, Leonardo Pataca começou a desconfiar de que a sua mulher o traía. Quando verdadeiramente descobriu os romances de Maria, brigaram feio, mais tão feio que ela acabou retornando para Portugal com um de seus amantes.

Triste, Leonardo Pataca abandona sua casa, deixando o menino, que fica aos cuidados do padrinho, conhecido também como o barbeiro. Este homem sente muito amor por seu filhado e se dedica para dar-lhe uma boa vida. As travessuras do menino continuam, mas o barbeiro não enxerga nisso nenhuma maldade, muito pelo contrário, se diverte com as peripécias que o menino apronta com a vizinha.

O narrador nos deixa a par dos futuros acontecimentos relacionados tanto ao Leonardo Pataca quanto ao Leonardinho. Ficamos sabendo que o pai acaba se envolvendo com outras mulheres tão complicadas quanto Maria e que o filho cresce e se torna um grande malandro, que não tem nenhum ofício, vivendo das custas de seu padrinho.

Em meio à situações diversas, como a morte do barbeiro, o retorno à casa do pai, Leonardinho se apaixona por Luisinha, filha de D. Maria, amiga de seus padrinhos. Observamos este amor desde seu início, bem como outras passagens importantes na vida do menino, que agora já é um homem. Dentre essas passagens, temos o encontro de Leonardinho com o Major Vidigal, o oficial mais temido, conhecido pelo seu modo peculiar de fazer reinar a ordem na cidade.

Um romance carregado de humor (não consegui evitar dar umas boas risadas no metrô) e que pode ser considerado um percursor do Realismo. Manuel Antônio de Almeida morreu jovem - tinha então 31 anos, mas deixou este exemplar que reflete os costumes urbanos do Rio de Janeiro. 

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