sexta-feira, 27 de novembro de 2015

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Ao meu lado direito, está sentada uma senhora que deveria estar no grupo de louvor, de tão bela que é a sua voz. Fico até sem graça com as minhas desafinadas. Ao meu lado esquerdo, uma outra senhora com o olhar triste mantém as mãos entrelaçadas em cima de sua pequena bíblia. Por aqui, não há ninguém que eu conheça, a não ser um garoto com quem fiz amizade no meu batismo. Ele está sentado na segunda fileira, enquanto eu permaneço na penúltima. 

Fecho os olhos. Deixo a música guiar meus pensamentos. Imagino que ao meu redor estão as pessoas que amo, como uma amiga me ensinou. Imagino que elas vieram comigo, que oram comigo e que seguram as minhas mãos enquanto eu canto. Tenho a imagem bastante clara em minha mente, como se fosse uma fotografia. E antes de abrir os olhos, peço a Deus que um dia seja assim, porque estar sozinha quase me faz pensar que eu sou sozinha. 

Abro os olhos quando a música para. Olho para o meu lado direito, a senhora continua cantando alguns versos baixinho. Do meu lado esquerdo, a mulher com o olhar triste está chorando. Estendo o meu braço na cadeira que nos separa. Ela desentrelaça os dedos, seca algumas lágrimas com o dorso de sua mão esquerda e com a direita pega a minha mão. Eu a seguro na minha e oramos juntas. Então, a outra senhora se levanta e coloca as suas mãos nos nossos ombros: ela está orando por nós duas.

Naquele momento, entendi que eu não estava sozinha - nenhuma de nós estávamos, na verdade. Um outro louvor se iniciou. Dessa vez, cantamos todas juntas. E percebi que não havia mais lágrimas nos olhos da senhora do lado esquerdo e que eu não precisava mais fechar os olhos para imaginar minha família: nós duas tínhamos o que precisávamos para continuar, ainda que singularmente. E a senhora do meu lado direito, enchia o salão com a sua voz graciosa.


2 comentários:

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