sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Leitura: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis


É sempre um prazer ler e escrever sobre o meu escritor favorito. Machado de Assis, o grande nome da nossa literatura, o maior representante do Realismo brasileiro deixou para nós obras que apesar do distanciamento cronológico, continua dizendo muito sobre a nossa sociedade, ou seja, os seus livros são atemporais.

Nesta semana, li para as aulas de Literatura Brasileira "Memórias Póstumas de Brás Cubas", publicado em 1881. O romance nos é contado por um defunto-autor, o próprio Brás Cubas, que após a sua morte, decide aproveitar as horas no além para contar a sua história, iniciando pelo fim - sim, o defunto-autor narra primeiro as causas de sua morte, seu delírio antes do último suspiro, para depois nos mostrar a sua infância e assim, segue a ordem dos acontecimentos. 

Vindo de uma família rica, Brás Cubas era mimado pelo pai e desde pequeno mostrava ter um gênio difícil de lidar; fazia o que bem entendia, fazia do Prudêncio, escravo que seu pai lhe dera, de gato e sapato, e quando era contrariado, agia com extrema frieza.
Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de côco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce "por pirraça"; e eu tinha apenas 6 anos. (Página 35)
A sua juventude foi marcada por alguns amores, dentre eles, o primeiro era por Marcela, uma linda mulher que o cativara a tal ponto que o Brás fazia tudo por ela; dava-lhe jóias caríssimas compradas com o dinheiro do pai, quase desistiu dos estudos porque ela não o acompanharia. É deste amor que surge uma das frases mais conhecidas da obra:
...Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. (Página 49)
Preocupado com a desocupação de Brás, o pai dele o mandou estudar no exterior, voltando apenas quando a mãe adoecera. Contudo, o nosso protagonista continuou levando a vida patética que levava, não aproveitando as oportunidades que surgiram. Nesse aspecto, gosto de separar o Brás Cubas, pois o vejo como duas pessoas completamente diferentes: o vivo e o morto.


O Brás Cubas vivo foi um inútil, manteve um relacionamento adúltero, foi mesquinho, viveu às custas da fortuna do pai; enquanto que o Brás Cubas morto, dotado de uma filosofia impressionante, percebe que sua vida foi em vão, usando-se ora de pessimismo, ora de ironia para nos contá-la. Isto nos fica bem claro no último capítulo:
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. (...) E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. (Página 194)
Nosso defunto-autor não está mais ao alcance de julgamentos e é por isso que se desfaz de qualquer gentileza ao nos contar a sua história e as suas impressões sobre o caráter do Homem. Apesar de ter amado reler essa obra, tenho plena consciência de que ainda levarei muitas e muitas releituras para compreendê-la, ainda que seja assim, uns 25%. Mas sei que vale a pena! Para entender Machado vale qualquer esforço. 

2 comentários:

  1. Eu já li quase a metade... Parei devido ao fato de ser meio complicado, e na época eu estava com um pouco de ressaca literária. Mas tenho de tomar vergonha e ler, visto que quase todo mundo do curso já leu.

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  2. Faça isso, leitor ou leitora! Garanto que não se arrependerá em dar uma nova chance ao Machadão.

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