quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sobre o dia em que não conhecerei o Mia Couto


Conheço pessoas que gostam de reclamar, ainda que não percebam o ato. Ultimamente, tenho me distanciado de tipos assim, mas não faz tanto tempo a ponto de não me recordar do quão mal eu me sentia por aquilo que estava ouvindo, uma vez que não era dito para buscar um apoio ou uma possível solução - era o falar por falar, usar as ferramentas linguísticas afim de despejar toda a raiva de dentro. 

O que escreverei aqui, não tem a ver com reclamar. Não sinto raiva. Tampouco estou à procura de conselhos. Não busco apoio. Recorro ao papel porque é o que faço para amenizar as pequenas decepções do dia. 

Hoje, por exemplo, recorro para desapertar o coração da notícia que me deixou desanimada até quando a minha mãe me chamou para jantar: não irei conhecer o Mia Couto, autor moçambicano muito conhecido aqui no Brasil, que participará de um evento próximo na USP. Motivo? Falta de dinheiro. É duro dizer isso, mas não tenho grana pra pagar o colóquio. 

Outro recorrente motivo é a questão do horário - ainda que tivesse o dinheiro em mãos, teria que faltar no estágio. Esse é o meu compromisso diário, então como poderia me ausentar, ainda que um dia? 

O que me deixou animada foi saber pela minha linda professora de literatura, que o Mia costuma vir ao Brasil com certa frequência. Em outras palavras, haverá outras oportunidades de conhecê-lo, de olhá-lo nos olhos e agradecer pela leitura fantástica de Terra Sonâmbula, pela inspiração no trabalho de conclusão de curso da faculdade, por apresentar ao mundo a cultura do seu povo, as histórias de Moçambique, por ser o autor africano que através de seus escritos, me fez voltar os olhos à literatura africana em língua portuguesa.

E tirar uma selfie, claro. 

Um autógrafo no meu exemplar de Terra Sonâmbula também (isso se ele não se incomodar com um livro todo grifado, repleto de anotações e pensamentos sobre a obra).

Ou um simples "obrigada".

Por pensar assim, não reclamo. Entendo que tudo tem o seu devido tempo e que este não é o meu momento. A vida é feita de encontros e desencontros. E desta alternância vou aprendendo. 

Mia Couto, sei que em breve nos encontraremos. E então, poderei dizer o que você representou para mim como leitora e estudante. Você fez muito por mim, ainda que intencionalmente. Este é o poder da sua literatura: tornar simples leitores em apaixonados por Moçambique, suas histórias, seu povo, suas fantasias. 

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