sábado, 2 de janeiro de 2016

Leitura da semana: Claraboia, de José Saramago


Foi na faculdade que conheci as obras de José Saramago. Durante o Ensino Médio, o único contato que tive com o seu universo foi no dia em que a nossa professora de Língua Portuguesa passou o filme "Ensaio sobre a cegueira", que até hoje indico para todo mundo. 

Só depois de muito tempo que fui ler "As intermitências da Morte" e na faculdade, estudamos e até tivemos uma palestra sobre "O ano da morte de Ricardo Reis", livro complicadíssimo, porém muito prazeroso quando entedemos as relações intertextuais que o compõe. 

"Claraboia" chegou até mim através de uma professora do estágio. Fã do autor e de suas obras, ela comentou comigo sobre este livro e percebeu meu interesse. Então, poucas semanas antes das férias, ela o trouxe e me emprestou.

"Claraboia" narra as histórias de algumas famílias que vivem num pequeno prédio em Lisboa. Tem o sapateiro Silvestre e sua esposa, que alugam um quarto para Abel, um jovem ansioso para entender o sentido da vida e que junto com Silvestre, mantém diálogos longos, e aos poucos, se tornam bons amigos.


Adriana, sua irmã Isaura, a mãe Cândida e a tia Amélia vivem juntas e compartilham o trabalho e os afazeres de casa. Todas têm segredos, o que era mais do que natural, até o momento em que Adriana e Isaura começam a se comportar de modo estranho diante da mãe e da tia, e Amélia fará de tudo para entender o que se passa entre as sobrinhas.

Maria Cláudia é filha de Anselmo e Rosália, uma garota inteligente e que sabe dobrar os pais como ninguém. Ela consegue tudo o que quer e é encantada pela beleza de Lídia, uma mulher que mora sozinha e que vive de seus relacionamentos com homens bem sucedidos. É ela quem consegue um novo emprego para a Maria Cláudia na empresa do senhor Morais, o homem que mantém Lídia e que mostra-se interessado pela menina. 

Henrique é filho de Carmen, uma espanhola que sonha em voltar para seu país, pois julga levar uma vida infeliz ao lado do marido Emílio, que é tão infeliz quanto ela. Emílio quer ir embora, largar tudo, mas quando Henrique adoece, ele esquece essa ideia por um tempo e passa a cuidar dele. O menino descobre no pai um amor que até então não conhecia e Carmen, que até então era a única na vida de Henrique, sente ciúmes do marido e chega a perder a cabeça com esta situação. 


Essas são as narrativas principais. O pequeno prédio torna-se ainda menor com as histórias desses dessas famílias. Quem caminha por essa rua em Lisboa, não imagina o que se passa entre estes moradores, que têm como "espectadores" as janelas, as portas e as paredes. Um livro que Saramago só permitiu a publicação após a sua morte, pois quando era jovem, o autor não recebeu resposta alguma da editora, que aliás, nunca devolvera o original. 

Separei alguns excertos do livro:
Só Justina, como se nada tivesse ouvido, permaneceu tranquila. Em casa, apenas abria a boca para dizer as palavras indispensáveis, e não considerava indispensável tomar o partido do animal. Vivia dentro de si mesma, como se estivesse sonhando um sonho sem princípio nem fim, um sonho sem assunto de que não queria acordar, um sonho todo feito de nuvens que passavam silenciosas encobrindo um céu de que já se esquecera. (Página 97)
- Sou infeliz, Henrique, sou muito infeliz. Vou-me embora um dia destes. Não sei quando, mas sei que irei. A felicidade não se conquista, mas quero conquistá-la. Aqui já não posso. Morreu tudo... A minha vida falhou. Vivo nesta casa como um estranho. Gosto de ti e da tua mãe, talvez, mas falta-me qualquer coisa. Vivo como uma prisão. (...) Vou-me embora qualquer dia... (Página 105)
Obrigada, professora Soraia, por ter me emprestado este maravilhoso livro, sensível do início ao fim. Quero um dia comprá-lo, para ler novamente estas palavras de Saramago. "Claraboia" precisa ser lido constantemente, para que nenhum detalhe se perca. 

2 comentários:

  1. Ana, Saramago é meu autor português favorito. Nunca vou me esquecer do primeiro livro que li: "Ensaio sobre a cegueira". Depois fiquei apaixonada e comecei a me aventurar por sua escrita. "Claraboia" é o único volume que possuo. "As intermitências da morte" é genial e cômico. Super recomendo "Ensaio sobre a lucidez", "O evangelho segundo Jesus Cristo" (este causa uma certa polêmica para quem tem religião). "A viagem do elefante" também é muito bacana! Espero que continue a ler os livros dele. Feliz ano novo atrasado!

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    1. Denise, assim que terminar as leituras da semana, quero comprar o Ensaio Sobre a Cegueira, pois gostei muito do filme! Obrigada pelas outras indicações, quero ler tudo!

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