quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Leitura da semana: A Ladeira da Saudade, de Ganymédes José


Diferente de mim, meu irmão nunca foi um leitor assíduo. É claro que ele já leu várias séries sobre dragões, reinos e até curte os livros do Dan Brown. Mas não vivia na biblioteca da escola ou guardava livros em caixas. Geralmente, ele os pegava emprestado e os devolvia assim que finalizasse a leitura. Já eu, evitava ao máximo essas "despedidas", querendo manter todos os livros, até os emprestados, no meu quarto, guardadinhos. 

Foi na época da escola que meu irmão conheceu e adorou o livro A Ladeira da Saudade. Lembro que eu tinha uns 14 anos quando ele me indicou a leitura. Na época, não achei a história tão surpreendente e confesso que pulei algumas partes. Mas, na semana passada, encontrei o livro na biblioteca do colégio e decidi reler, quem sabe assim, depois de uma certa maturidade, pudesse enxergar a beleza que o meu irmão enxergou quando tinha mais ou menos a idade que tenho hoje.

O que mais gostei nesta releitura não foi a história em si, mas seu pano de fundo. Há alguns anos atrás, viajei com a escola para Ouro Preto, Mariana e mais alguma cidade que agora não lembro o nome, mas era próxima das duas. Nós conhecemos os pontos turísticos e mergulhamos na história de Minas Gerais, na época da Inconfindência Mineira. Esse mesmo passado é relembrado pelo Ganymédes José em seu livro. É por isso que essa leitura pode ser interessante para quem admira o passado que as belas cidades de Minas nos deixaram escrito, especialmente através da literatura.


Lília é uma jovem paulista que mora com os pais, Dr. Rui e Dona Flávia. O pai é um homem paciente, bastante próximo da filha. Diferente da mãe, que quer proteger a menina a qualquer custo, escolhendo seus relacionamentos e discutindo com ela constantemente. Após um desentedimento com Marco César, seu namorado, Lília decide passar alguns dias em Ouro Preto com a tia Ninota, que mora lá. 

É em Ouro Preto que a sua vida começa mudar.

Para começar, Lília faz amizades com um grupo de jovens que criaram um teatro de fantoches, onde eles contam parte da história da cidade através dos poemas escritos por Tomás Antônio Gonzaga, que no período literário conhecido como Arcadismo, escreceu  sua mais famosa obra, Marília de Dirceu.

Seus versos eram dedicadas para a sua amada Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que também o amava. Nesses poemas, Maria Dorotéia era "Marília" e o próprio Gonzaga era o "Dirceu"

E no nosso romance, Lília, apelido de Marília, conhece o jovem Dirceu, idealizador do teatro de fantoches e apaixonado pela história de sua cidade. Ao conhecer Lília, Dirceu se encanta com a menina, acreditando ser ela a sua Marília, igual à Gonzaga. Conforme eles vão se conhecendo, ficam cada vez mais apaixonados um pelo o outro.

Contudo, as férias estão acabando e Lília precisa voltar para São Paulo. Seu plano é voltar e estudar em Ouro Preto, mas dificilmente sua mãe deixaria ela ficar para estudar ou namorar Dirceu. E Dona Flávia fará o que estiver ao seu alcance para evitar isso.

Meu irmão estava certo ao me indicar essa leitura, há alguns anos atrás. Só aumentou a minha vontade de voltar a Ouro Preto e visitar novamente os pontos históricos da cidade. A Ladeira da Saudade é uma leitura leve e interessante para quem está estudando o período literário conhecido como Arcadismo. É muito mais legal quando estudamos literatura para entender a própria literatura!

Fica a minha indicação, leitores!
"- Esses versos não são de Tomás Antônio Gonzaga?
- Não. São meus e nasceram agora. Acho que foi o pressentimento que me fez desconfiar que seu verdadeiro nome é Marília, porque só Marília pode ser tão linda quanto você! Afinal, eu sou Dirceu! Será que temos a alma dos dois grandes amantes de Ouro Preto, que viveram séculos atrás?" (Página 53)

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